terça-feira, 4 de agosto de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
Abel Mateus: a inquietação do real
O Jornal de Negócios publicou anteontem uma extensa entrevista (5 páginas) de Abel Mateus, professor universitário (FE da UNL, University College e NYU) e ex-presidente da Autoridade da Concorrência de 2003 a 2008. A entrevista foi concedida ao director do jornal Pedro Guerreiro e à directora-adjunta Helena Garrido. Em síntese temos os seguintes aspectos mais importantes:
- O cenário macroeconómico é particularmente difícil. O PIB cai este ano 3,5% ou 4%, o desemprego roça os 10% da população activa, o défice externo está entre os 8 e os 9 por cento, o endividamento externo atinge os 110% do PIB e o défice estrutural do sector público é cerca de 5% (Abel Mateus atribui a fonte destes dados à Comissão Europeia). O economista estima que os grandes investimentos atirariam o endividamento externo para 240% em 2020. O momento actual é mais difícil que em 1974 ou em 1982. No meio das desgraças o turismo é uma benção: "(...)entre 2000 e 2007 cresceu 47% em termos reais" É preciso apostar no turismo: "Temos de investir aí, na recuperação dos centros urbanos, dos monumentos, nos serviços sociais nas regiões onde há turistas. Isso é que aumenta o PIB potencial, aí é que temos de aplicar recursos de modo eficiente: economia produtiva, empresas privadas";
- A desorçamentação esconde dificuldades. "Lembro-me de quando a Drª. Manuela Ferreira Leite foi ministra das Finanças, a certa altura estava com uma dor de cabeça que era ter 700 milhões de euros para desembolsar todos os anos com o pagamento das SCUT e o dinheiro não lhe entrava". O Governo "manteve um elevado peso do sector público, com custos acrescidos para o sector privado e desvio de fundos para o sector público";
- A conjuntura difícil pode conhecer um hard landing. O "default" do Estado ou uma "grave crise financeira do sistema bancário" podem acontecer. Não se pode descartar um cenário tipo Islândia;
- A exuberância demagógica dos governos agrava os problemas. À desorçamentação (empresas públicas na saúde e nos transportes, parcerias público-privadas, cartas de conforto(?)), soma-se a fraca rentabilidade dos investimentos (exemplo dado: SCUT). Os governos apoiaram o crescimento do sector imobiliário (que alimentou o endividamento externo); em alternativa o governo poderia ter "(...) controlado a expansão do crédito, estabelecendo, por exemplo, um limite máximo do empréstimo em percentagem do valor do imóvel. (Refira-se a propósito que o governo Durão Barroso tomou a medida cíclica de permitir o aumento do prazo dos empréstimos para compra de habitação...).;
- A reforma da justiça é a primeira prioridade. Esta reforma é a mais importante que deve ser realizada. "É preciso mudar o sistema e ainda não houve uma alteração suficiente profunda. Como por exemplo retirar todos os processos de pequenas dívidas dos tribunais. Não se pode ter milhares de processos na Relação de dívidas de telemóveis!". Grassa o ambiente de impunidade. "Um caso específico: quando estava na administração do Banco de Portugal, pertenci a um conselho que encerrou um banco, a Caixa Económica Açoreana. Os processos foram entregues ao Ministério Público e, que eu saiba, nada resultou. Apesar de haver muita evidência de ter havido desvios de fundos. Isto preocupa-me muito." Na área financeiro-monetária a moeda única exige um supervisor único: "A solução que está em cima da mesa [Relatório Larosière] não é suficiente nem eficiente para prevenir uma crise financeira".
Curiosidades e notas críticas:
- O paralelismo com a Islândia aterrou na entrevista através dos lábios dos jornalistas (pergunta: "E a longo prazo? Portugal pode ser uma Islândia?", resposta: "Em 2020, se não tivermos cuidado, pode. A Islândia tinha rácios de endividamento externo claramente inferiores aos que podem ser os nossos. (Embora a Islândia tivesse o problema dos maus investimentos dos bancos no exterior.)". Luís Campos e Cunha criticou ontem este paralelismo na crónica semanal no jornal Público, visto que a Islândia tem moeda própria e não o guarda-chuva da moeda única. Acho que a crítica de Campos e Cunha é infundada e contradiz o próprio artigo que escreveu. Com efeito, com moeda única ou sem moeda única, o aumento do endividamento externo significa que uma parte crescente da riqueza produzida em Portugal desaparece para os bolsos dos investidores estrangeiros sob a forma de juros. Ora isso gera as dificuldades que Abel Mateus ou Campos e Cunha descrevem;
- Na entrevista surge pouca reflexão sobre a Autoridade da Concorrência, embora seja natural uma atitude de reserva por parte de Abel Mateus;
- "No dia em que formos capazes de prever as bolhas, elas desaparecem." A incerteza é própria da economia e a bolsa reflete isso: as bolhas nunca desaparecerão...
- Abel Mateus "ouve muito" Krugman e admira Robert Lucas, "(...) mas não evidentemente nas teorias tradicionais das expectativas racionais e quando dizia que a autoridade monetária não devia fazer nada. É um brilhante economista, mas já passou. Há agora economistas novos muito bons." Poderia ter citado dois ou três economistas "novos muito bons"...
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Fábio
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14:31
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terça-feira, 21 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Soluções da crise financeira
Martin Wolf na sua crónica no Financial Times admira-se das crises financeiras não serem mais frequentes, ao mesmo tempo que observa que a actual crise se deverá repetir no futuro próximo... É difícil resistir ao moral hazard quando se é gestor de um banco: os proveitos potenciais de grandes riscos são imensos, ao mesmo tempo que o Estado socorre as instituições nos cenários mais desfavoráveis que possam ocorrer. No artigo Martin Wolf argumenta a favor do aumento do capital dos bancos, sobretudo dos bancos cuja dimensão possa gerar riscos sistemicos em caso de falência; é fundamental reduzir a alavancagem desses bancos.
André Orléan, num trabalho publicado pelo CEPREMAP, De l'Euphorie à la Panique: Penser la crise financière sugere outra solução: redução da interligação dos mercados de capitais pelo mundo fora, para diminuir os riscos de propagação das crises. (O link para o trabalho de Orléan foi encontrado no Blogizmo.)
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Fábio
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12:25
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Poupança ex ante ou ex post?
O suplemento de Economia do jornal El País publicou ontem um artigo do NYT de Paul Krugman, em que o economista procura as raízes mais profundas da crise financeira. Paul Krugman atribui a responsabilidade mais mediata da crise à Administração Reagan, com a liberalização financeira. A liberalização financeira diminuíu a propensão à poupança das famílias americanas, que passaram a confiar mais no endividamento para financiarem o seu consumo.
Na revista domingueira do El País o escritor Javier Marías dedica a sua crónica semanal a comentar a aflição dos compatriotas, sobreendividados, que, desempregados, têm de continuar a pagar as prestações do carro ou da casa. Os bancos poderiam fazer muita pressão para a pessoa se endividar, mas não obrigavam ninguém a fazê-lo, observa algures.
No manual de economia monetária de Bruce e Freeman Modeling monetary economies, um capítulo analisa as vantagens da economia de troca indirecta, relativamente à troca directa e mostra a vantagem da economia de troca indirecta se basear numa moeda fiduciária, em vez da moeda se basear no ouro ou na prata.
O argumento lógico a favor da moeda fiduciária é o da libertação do ouro monetário para uma utilização real (digamos assim). Verifica-se então um ganho de bem-estar. (O modelo das gerações sobrepostas, acrescido do comportamento optimizador dos agentes económicos omnipresente no Manual citado deixa pouco espaço para a política monetária ou orçamental.)
O argumento a favor da moeda fiduciária é portanto lógico, mas o que diriam dele os austríacos ou os alemães durante as hiperinflações que sofreram?!
A poupança ex post keynesiana fará todo o sentido numa economia que não é de Robinson Crusoe, mas, quando os desequilíbrios estalam, Javier Marías pode escrever uma crónica sobre as desventuras dos "enganados" pelos bancos.
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Fábio
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23:24
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
As eleições estão no ar...
Em Outubro de 2008, existiam menos 51.486 funcionários que em 2005. A meta era de 75 mil.
O Estado já "não precisa de reduzir mais" o número de funcionários públicos, afirmou ontem o secretário de Estado da Administração Pública, avançando que a meta para a legislatura de diminuir em 75 mil o universo de trabalhadores decorria da situação "verificada em 2005".
"Portugal não precisa de reduzir mais funcionários públicos. Precisa é, quando quer que entrem mais funcionários públicos, dispor de mecanismos para entrar, e quando acha que não precisa, que existam mecanismos para que não entrem", afirmou o secretário de Estado durante a XI Conferência Ibero-Americana dos Ministros da Administração Pública e da Reforma do Estado, citado pela Lusa.
De acordo com os dados apresentados na conferência, em Outubro de 2008 o Estado tinha 696.394 trabalhadores, menos 51.486 do que em 2005. Um número que fica aquém dos objectivos iniciais do Governo que previa reduzir em 75 mil o número de funcionários públicos. Ainda assim, Castilho dos Santos acrescentou que o objectivo, presente no Programa do Governo, "era uma meta decorrente da situação verificada em 2005".
"Não estamos obcecados com o número de funcionários públicos", disse o governante, salientando que "o que é para manter é a política de reforma no sentido de haver instrumentos de gestão na administração pública que façam ligar as necessidades dos serviços, as necessidades do país, às disponibilidades orçamentais". Por isso, a regra de uma entrada por cada duas saídas é para manter, sublinhou.
"Temos orgulho em ter centenas de milhares de funcionários públicos, não queremos privatizar a administração", disse o governante durante a exposição.
C.O.S., "Governo dá por terminada a redução de funcionários públicos", Diário Económico, 26 de Junho de 2009, p. 56.
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Fábio
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
Produtos financeiros pós BPP e BPN?
Não há uma contradição nas 3 afirmações assinaladas no anúncio? Poderemos especificar valores (positivos) para a TANB e ao mesmo tempo admitir que ela pode ser negativa?
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Fábio
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sexta-feira, 12 de junho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Ambivalências
O Telejornal da SIC ontem ao serão fez uma reportagem na fábrica da Nova Delta, em Campo Maior. Passava das 21h00, a fábrica parecia laborar a todo o vapor, como se fossem 15h00. Uma jornalista passeia por entre as operárias. Elas fazem qualquer coisa com as embalagens que recolhem num tapete. As operárias são interrogadas se têm receio de perder o trabalho. Invariavelmente respondem que não. O barulho, abafado pela almofadinha do microfone, parece imenso. As mulheres trabalham sem protecção nos ouvidos. A pivot diz que aquele trabalho poderia ser feito por máquinas. Sente-se que ela tem apreço pela opção tecnológica, ao mesmo tempo que deixa transparecer alguma dúvida. A empresa tem aumentado o número de trabalhadores.
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Fábio
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18:48
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Anti-fogo
No início da Legislatura Sócrates, Miguel Frasquilho, Economista e Deputado do PSD, sugeria um choque fiscal para combater o défice público. O choque consistia numa redução da carga fiscal. A medida parecia contraditória. Poderia basear-se na supply side economics, mas não. A ideia tem talvez um vago paralelismo numa técnica de combate a um incêndio florestal: provocando um pequeno fogo, em determinadas circunstâncias, consegue-se o domínio do incêndio que devasta uma área. Com o "fogo" da redução da carga fiscal, o objectivo era obrigar o Estado a moderar a despesa pública. Volvidos estes 4 anos do Governo Socialista, Miguel Frasquilho afastou o choque fiscal, propondo uma redução imediata da despesa pública. É "imperioso" "(...)cortar nas despesas de funcionamento (na chamada “máquina” do Estado) e em ser muito, muito criteriosos e muito, muito rigorosos nas despesas de investimento público – quer nas que são pagas agora, quer nas que acarretam encargos futuros. Criteriosos e rigorosos como, se calhar, até hoje pouco se viu em Portugal…".
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Fábio
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11:44
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sábado, 16 de maio de 2009
Percebi bem?
Torremolinos é uma espécie de Quarteira e Marbella é tipo Albufeira?
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Fábio
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18:56
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
As chinesinhas de Sacavém
Em Março passado o número de inscritos nos centros de emprego estava acima dos 480 mil. Em 1975 rondaria os 250 mil.
Entre os desempregados de 75, figuravam ainda muitos dos trabalhadores da Applied Magnetics, uma multinacional norte-americana que em Sacavém, mais concretamente no Prior Velho, tinha produzido peças para computadores e outro material electrónico e que inaugurou por cá, antes de ser moda, o tempo das deslocalizações.
"Já não podiam explorar como queriam", comenta Adélia, que trabalhou ali quase dois anos. Turnos de sete horas seguidas, por vezes dois de uma assentada, a soldar fios eléctricos em pequenas cápsulas de plástico, tudo tão pequeno que obrigava ao uso permanente de microscópios, alinhados em grandes bancadas brancas e Adélia e outras dezenas de mulheres agarradas a eles. "Tínhamos sempre o encarregado atrás, nem a cabeça podíamos levantar."
Quando o 25 de Abril chegou, mais de metade da população empregada em Portugal ganhava, por mês, entre 1500 e 3500 escudos (7,5 a 17,5 euros). Com a revolução ainda na rua, anúncios nos jornais pediam paquetes, com "idade entre 14 e 17 anos" e "escolaridade obrigatória". "Vencimento inicial de 1495 escudos" (cerca de 7,5 euros) por mês. No Estado, por exemplo, aumentava-se um director da Direcção-Geral de Fiscalização Económica para 17.200 escudos (86 euros) e um adjunto técnico de 2.ª classe do mesmo departamento para um pouco menos de metade.
Na Applied Magnetics, o pagamento médio andava pelos dois mil escudos. Não por muito mais tempo. Em Maio de 1974, era fixado o primeiro Salário Mínimo Nacional: 3300 escudos, aumentado um ano depois para quatro mil.
Clara Viana e Paulo Ferreira, "1975: o ano da outra crise", jornal Público, 10 de Maio de 2009, Caderno P2, pp.4-7.
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Fábio
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09:02
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
sábado, 2 de maio de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Convergência real: see you
Segundo o FMI a Zona Euro deverá estar a crescer 2,3% em 2014, ao passo que Portugal regista um crescimento de 1,5%.
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Fábio
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12:32
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
Fuga em frente?...
Em Dezembro de 2007, no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 2007-2011, o Governo ainda previa um crescimento do PIB na ordem dos 2,2% para 2008 e uma recuperação do crescimento para 2,8% em 2009. Em 2008, afinal de contas, tivemos uma estagnação da actividade económica e no corrente ano de 2009 enfrentamos a maior recessão desde 1975 (o FMI prevê uma quebra do PIB na ordem dos 4,1%). Para além do proverbial falhanço das previsões dos economistas, acho que importa salientar um aspecto nos dois quadros reproduzidos.Os vários PEC do Eng. Sócrates têm subjacente (parece!) uma taxa de crescimento "normal" do PIB de 3%. Digamos que quando a economia não enfrenta dificuldades conjunturais, admite-se que a taxa de crescimento cristaliza nesse valor. Pelo contrário, o documento da Primavera do FMI parece cristalizar a taxa de crescimento do PIB em apenas 1,5%.
A eventual quebra do crescimento potencial, e as dificuldades acrescidas que deverão surgir no financiamento externo da economia portuguesa, são um novo enquadramento que condiciona os grandes investimentos em carteira - TGV, novo aeroporto de Lisboa, 3ª ponte do rio Tejo junto a Lisboa.
A pressão do Governo em fechar decisões e estabelecer contratos surge como uma fuga em frente, antes do novo enquadramento macroeconómico começar a fazer-se sentir.
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Fábio
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18:20
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2009: recessão inverosímel?
Nos primeiros Programas de Estabilidade e Crescimento do Eng. Sócrates a economia portuguesa deveria crescer em 2009 à taxa de 3%, sendo as Exportações de bens e serviços (salvo o erro!) a parcela mais dinâmica da procura agregada. Depois, com os ventos menos favoráveis, o Governo pôs a responsabilidade do protagonismo no Investimento. Isto parecia esdrúxulo, na medida em que o investimento público tem encolhido e o privado é tudo menos controlado pelo Estado. Na previsão da Primavera do BdP, finalmente, aquelas duas parcelas da procura agregada aparecem com reduções em 2009 na ordem dos 14%. O PIB deverá diminuir 3,5%, o que é a pior recessão desde 1975. O FMI na semana passada previu uma redução do PIB português de 4,1%.
Autor:
Fábio
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11:57
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
Dúvida económica
O "paralelismo de comportamentos" que Manuel Sebastião da Autoridade da Concorrência encontrou no mercado de combustíveis líquidos é uma espécie de cartel informal? Num duopólio com simetria de condições produtivas e que enfrenta uma dada curva da procura, existem dois "paralelismos" de comportamento: a solução competitiva de Bertrand e a cartelização. Onde se encontra a indústria com o seu "paralelismo de comportamentos"?
Autor:
Fábio
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18:56
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
Desemprego natural...
O comportamento do desemprego espanhol nas últimas 3 décadas sugere que a taxa de natural de desemprego ronda naquele país os 15% (incluindo nesse valor os desempregos "clássico" e "estrutural"). Durante as décadas de 80 e 90 do século passado o desemprego esteve praticamente sempre acima dos 15%, e apenas durante os anos mais recentes o desemprego se apresentou abaixo desse limiar. Mas os primeiros anos do século XXI coincidem com os anos favoráveis próximos da adopção do Euro (e subsequente baixa das taxas de juro) e da bolha do imobiliário, que favoreceram a actividade económica. Níveis altos de desemprego e o envelhecimento da população colocam pressões (insustentáveis?) sobre a segurança social pública.
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Fábio
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12:02
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