Delírios económicos
A ERSE vai propor uma redução do preço da electricidade tendo em conta os lucros-recorde da EDP.
Blog de um Professor de Economia do Ensino Secundário.
A ERSE vai propor uma redução do preço da electricidade tendo em conta os lucros-recorde da EDP.
Autor:
Fábio
às
13:49
3
comentário(s)
O Presidente Obama observou que actualmente pode ser um bom momento para investir. Com o PSI20 abaixo dos 6000 pontos e a menos de metade do valor de Agosto de 2007, parece que o mercado é atractivo...
Autor:
Fábio
às
11:07
0
comentário(s)
(...) España es como California o Florida. Las dos han vivido un boom de la construcción, han recibido grandes flujos de capital extranjero y, cuando ha estallado la burbuja inmobiliaria, la situación se ha vuelto muy difícil. Ahora tienen problemas de ajuste similares: el déficit es preocupante y la rebaja del rating ha sido inevitable, aunque peor para California.
P. ¿Y qué se debería hacer?
R. Va a ser duro. Lo que realmente asusta de la situación española es que no está nada claro cuál es la estrategia de ajuste por su pertenencia a la UE. Todo lo que puede hacer es mitigar los efectos de la crisis. Si España no fuera parte del euro, la devaluación ayudaría, pero esa opción ya no existe; la política fiscal es muy limitada para los países de la UE; también es limitada la capacidad de actuar sobre el sistema financiero aunque los bancos españoles han demostrado estar relativamente en buena forma; se pueden adoptar medidas para limitar el impacto de la crisis sobre los parados. Pero en buena medida a España sólo le queda esperar a que se produzca una recuperación europea.
Entrevista de Paul Krugman a A. González/ M. Á Noceda, "Obama es demasiado prudente", jornal El País, 15 de Março de 2009, pp.24 e 25, disponível aqui.
Autor:
Fábio
às
12:47
1 comentário(s)
Jean Pisani-Ferry assina um artigo no suplemento de Economia do jornal Le Monde de 3ª feira. Jean Pisani-Ferry é director do centro Bruegel, de investigação e de debate sobre as políticas económicas na Europa. O artigo intitula-se Pour un nouveau pacte de stabilité. Parágrafo atrás de parágrafo chora-se a diferença entre o plano despesista americano de relançamento da economia e a parcimónia dos esforços fracamente coordenados europeus. Só no último parágrafo lemos alguma coisa sobre a reforma do PEC: Si les Européens étaient sérieux, ils s'entendraient sans tarder sur une refonte du pacte de stabilité qui, à la fois, leur donne plus de marges de manoeuvre à court terme et encadre sérieusement l'évolution à moyen terme de leur dette publique. Ce n'est malheureusement pas le plus probable. C'est donc à chaque pays qu'il appartient de se fixer des principes de discipline budgétaire et de créer des institutions et des dispositifs qui garantissent sa capacité à les respecter. Plus vite ce sera fait, plus grande sera la capacité de faire face à une situation économique qui ne cesse de se dégrader. Que vazio!
Brutalmente acho o seguinte. O Euro impede os ajustamentos pela depreciação das moedas nacionais (que desapareceram), e o PEC impõe a disciplina orçamental que é compatível com a proibição da monetarização dos défices e da dívida pública (o suave default da inflação). Neste mundo de mãos atadas safa-se a Alemanha que é o maior exportador mundial (à frente da China portanto), alguns países bem geridos, e todos os outros ficam condenados a perderem activos, isto é, ao empobrecimento. Os países do Mediterrâneo - Grécia, Itália, Espanha e Portugal - vão na linha da frente das desgraças. Com uma moeda forte no bolso mas cada vez mais pobrezinhos. Espertos foram os ingleses.
Autor:
Fábio
às
00:36
4
comentário(s)
É vantajoso que a CGD se mantenha como banco público. Assim, nas crises financeiras, sempre é menos um banco que é necessário nacionalizar.
Autor:
Fábio
às
17:23
0
comentário(s)
...de JP Santos pode ser lida em Transaccionáveis vs não transaccionáveis.
Autor:
Fábio
às
23:32
0
comentário(s)
Se o preço do petróleo tivesse permanecido nos níveis estratosféricos do ano passado, não existiriam riscos de deflação.
Autor:
Fábio
às
17:02
2
comentário(s)
Os casos BPN e BPP parecem ser, simplesmente, casos de polícia. A regulação bancária, como já disse Jacinto Nunes, era (é?) feita ao almoço, onde informalmente se vão conseguindo comportamentos consentâneos com os bons costumes. De qualquer forma não deve ser fácil detectar verdadeiros descarrilamentos, e se calhar falta vontade ou agilidade para agir. Por exemplo a D. Branca foi durante anos e anos uma instituição de crédito tolerada, embora não respeitasse a legislação do sector. Verdadeiramente o que me impressiona é a junção dos nomes BPN e BPP, ficando qualquer coisa como Negócios Privados Portugueses...
Autor:
Fábio
às
14:41
0
comentário(s)
O Le Monde de hoje trás uma referência ao livro dos economistas Bernard Lietaer e Margaret Kennedy sobre o interesse das moedas regionais, que, coexistindo com as moedas nacionais, ajudam a vencer a crise. Numa entrevista parcialmente disponível no site Cdurable Bernard Lietaer afirma: Quand on parle de développement régional avec une monnaie centralisée, il y a une contradiction systémique. Une monnaie centrale a comme effet de concentrer les décisions et les ressources. Le cas français est assez clair. Paris est devenu incontournable. Une monnaie régionale couvre un territoire géographique donné, auquel les gens s’identifient. Aussi, ces derniers sont disposés à faire des efforts pour le développement de cette région. Sur le plan social, la monnaie régionale permet une cohésion locale renforcée. Sur le plan commercial, les entreprises locales utilisent la monnaie régionale comme outil de fidélisation, ce qui leur permet de mieux survivre aux assauts des grandes chaînes commerciales. Les monnaies régionales de type crédit mutuel sont créées par les gens ou les entreprises lors de l’échange : le vendeur reçoit un crédit, l’acheteur le débit correspondant. Dès qu’il y a accord pour faire un échange, cette monnaie est donc par définition disponible en quantité suffisante. Au contraire des euros, que l’acheteur doit obtenir de sa banque. Si la banque ne veut pas ou ne peut pas fournir le crédit, tout s’arrête.
A moeda regional, na explicação do economista belga Lietaer, faz pensar no Banco de Tempo. A verdade é que aquele banco pode permitir transacções que, sem ele, não ocorreriam - e nesse caso o banco aumenta a criação de riqueza.
Autor:
Fábio
às
18:38
0
comentário(s)
Fernando Ulrich no Público de hoje dá uma entrevista a Cristina Ferreira onde revela as mazelas da banca nacional, ao mesmo tempo que deixa um aviso: "[os bancos] vão ter que cobrar preços mais altos".
Algumas notas:
- O défice da BTC (e o marasmo do investimento externo) significa uma dependência do financiamento externo. A escassez de crédito e o aumento dos spreads externos traduzem-se em condicionamento do crédito disponível para o Estado, Empresas e Famílias ("é bom que as pessoas tenham consciência que Portugal é um dos países com um dos maiores défices da BTC do mundo. Quer em percentagem do PIB, quer em valor absoluto, é uma realidade que poucos conhecem. O país com maior défice da BTC é os EUA, o segundo é a Espanha. E Portugal está nos 10 primeiros. E o desafio é este, pois financiar este défice vai ser muito mais difícil do que foi até aqui. E pode até não ser possível.") E o negócio bancário ressente-se;
- A banca é acossada injustamente com as opiniões desfavoráveis de Mário Soares, Jorge Sampaio, Belmiro de Azevedo e Henrique Granadeiro. Apenas um banco, a CGD, já beneficiou da garantia estatal para se endividar; a ameaça governamental de suspender a garantia é despropositada. O BPP pode não ser viável;
- O aumento da exigência de capitais próprios, com a subida da Tier 1 para 8%, é mau vindo: vem complicar o exercício bancário ao exigir aumentos de capital, num momento em que é difícil de o fazer. A banca tem dificuldade em remunerar o capital e por isso é de esperar um aumento dos preços.
Duas reflexões sobre esta entrevista:
- Tivemos duas décadas de sossego nas contas externas; inicialmente fomos embalados pelo investimento externo e depois pela credibilização associada à participação na UEM. Se até 1986 tínhamos duas bombas sempre prontas a detonar (o desemprego e a ruptura nos pagamentos internacionais), agora temos uma (o desemprego) e uma espécie de bomba que é a corrosão da nossa credibilidade junto dos credores. A economia real (falta de competitividade, défice externo) volta em todo o seu esplendor. E isto num ambiente de desconfiança dos investidores internacionais. A banca navegou lindamente durante aquelas duas décadas. A margem de intermediação bancária minguou com a desinflação mas as dívidas (e portanto o negócio) dispararam. Agora tudo se complica.
- Aparentemente pela cabeça de Fernando Ulrich não passa a hipótese das dificuldades da banca serem combatidas com reestruturações, com fusões. Ulrich fala tranquilamente em aumento dos preços cobrados pelos bancos; presumivelmente spreads mais elevados e reforço dos custos de serviços bancários. Ao ler o aumento preconizado dos preços, é difícil afastar a estafada ideia da concertação dos bancos...
Autor:
Fábio
às
15:57
0
comentário(s)
No princípio da semana foi conhecida a escolha do Banco da Suécia: o "Prémio de Ciências Económicas em memória de Alfred Nobel", vulgo prémio Nobel da Economia, foi atribuído a Paul Krugman "for his analysis of trade patterns and location of economic activity".
Andei vários dias a pensar nos contributos de Krugman para a compreensão do comércio internacional. As economias de escala e o gosto pela inovação ajudam a compreender o comércio internacional entre os países com uma dotação factorial semelhante. So what?
Não percebo nadinha de comércio internacional. João César das Neves na 3ª feira observava no Público que as economias de escala justificavam a existência de comércio internacional entre países semelhantes. Pensei nos automóveis de luxo produzidos em França, Itália e Alemanha e pareceu-me que o argumento é pobrezinho - o que é que as economias de escala ajudam a compreender o comércio na Zona do Euro destes carrinhos? Já o gosto pela inovação talvez possa justificar alguma coisa. Mas...
Jean Paul Fitoussi observava algures que os benefícios do comércio externo resultam de um grau óptimo de abertura ao exterior. Acho que o grau óptimo não está em nenhum dos extremos (autarcia ou liberdade total de movimentos de mercadorias). Qual é o grau óptimo?
O Público de hoje noticia o desinteresse dos herdeiros de Fernando Pessoa, relativamente à proposta do direito de preferência feita pelo Estado. O Estado reagiu classificando como interesse nacional todas as obras em mãos de privados, impedindo sua a saída do país. O jornalista Luís Miguel Queirós conclui "O que está em causa é apenas isto: o Estado, usando dos instrumentos que a lei lhe atribui, deve ou não evitar que saiam do país alguns milhares de manuscritos e dactiloscritos de um dos maiores escritores europeus do século XX? Acho que deve." Será que deve?
Robert Shiller numa entrevista a Bloomberg esta semana notava que este ano o Banco da Suécia, com a instabilidade do mercado de crédito e dos bancos, estava naturalmente inibido de atribuir o prémio na área das expectativas racionais e da eficiência de mercados...
Autor:
Fábio
às
23:42
0
comentário(s)
O gráfico do endividamento das famílias ilustra um problema da banca nacional: o negócio bancário assente no endividamento das famílias e subsequente titularização e venda a bancos estrangeiros está ameaçado. Esta dificuldade assenta em dois factores. Por um lado o ambiente de desconfiança diminui a possibilidade/rendibilidade de colocação da dívida das famílias portuguesas no estrangeiro. Por outro o patamar das dívidas das famílias também significa que o endividamento não pode continuar a registar as taxas de crescimento do passado recente.
Autor:
Fábio
às
12:14
2
comentário(s)
O Público traz na 1ª Página uma notícia pior do que a crise bancária americana: a Fnac suspende a partir de hoje o desconto geral de 10% nos livros, reservando-o apenas para os clientes portadores do cartão Fnac. A Fnac está a piorar.
Autor:
Fábio
às
14:04
0
comentário(s)