Delírios económicos
Se o preço do petróleo tivesse permanecido nos níveis estratosféricos do ano passado, não existiriam riscos de deflação.
Blog de um Professor de Economia do Ensino Secundário.
Se o preço do petróleo tivesse permanecido nos níveis estratosféricos do ano passado, não existiriam riscos de deflação.
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Fábio
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17:02
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Os casos BPN e BPP parecem ser, simplesmente, casos de polícia. A regulação bancária, como já disse Jacinto Nunes, era (é?) feita ao almoço, onde informalmente se vão conseguindo comportamentos consentâneos com os bons costumes. De qualquer forma não deve ser fácil detectar verdadeiros descarrilamentos, e se calhar falta vontade ou agilidade para agir. Por exemplo a D. Branca foi durante anos e anos uma instituição de crédito tolerada, embora não respeitasse a legislação do sector. Verdadeiramente o que me impressiona é a junção dos nomes BPN e BPP, ficando qualquer coisa como Negócios Privados Portugueses...
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Fábio
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14:41
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O Le Monde de hoje trás uma referência ao livro dos economistas Bernard Lietaer e Margaret Kennedy sobre o interesse das moedas regionais, que, coexistindo com as moedas nacionais, ajudam a vencer a crise. Numa entrevista parcialmente disponível no site Cdurable Bernard Lietaer afirma: Quand on parle de développement régional avec une monnaie centralisée, il y a une contradiction systémique. Une monnaie centrale a comme effet de concentrer les décisions et les ressources. Le cas français est assez clair. Paris est devenu incontournable. Une monnaie régionale couvre un territoire géographique donné, auquel les gens s’identifient. Aussi, ces derniers sont disposés à faire des efforts pour le développement de cette région. Sur le plan social, la monnaie régionale permet une cohésion locale renforcée. Sur le plan commercial, les entreprises locales utilisent la monnaie régionale comme outil de fidélisation, ce qui leur permet de mieux survivre aux assauts des grandes chaînes commerciales. Les monnaies régionales de type crédit mutuel sont créées par les gens ou les entreprises lors de l’échange : le vendeur reçoit un crédit, l’acheteur le débit correspondant. Dès qu’il y a accord pour faire un échange, cette monnaie est donc par définition disponible en quantité suffisante. Au contraire des euros, que l’acheteur doit obtenir de sa banque. Si la banque ne veut pas ou ne peut pas fournir le crédit, tout s’arrête.
A moeda regional, na explicação do economista belga Lietaer, faz pensar no Banco de Tempo. A verdade é que aquele banco pode permitir transacções que, sem ele, não ocorreriam - e nesse caso o banco aumenta a criação de riqueza.
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Fábio
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18:38
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Fernando Ulrich no Público de hoje dá uma entrevista a Cristina Ferreira onde revela as mazelas da banca nacional, ao mesmo tempo que deixa um aviso: "[os bancos] vão ter que cobrar preços mais altos".
Algumas notas:
- O défice da BTC (e o marasmo do investimento externo) significa uma dependência do financiamento externo. A escassez de crédito e o aumento dos spreads externos traduzem-se em condicionamento do crédito disponível para o Estado, Empresas e Famílias ("é bom que as pessoas tenham consciência que Portugal é um dos países com um dos maiores défices da BTC do mundo. Quer em percentagem do PIB, quer em valor absoluto, é uma realidade que poucos conhecem. O país com maior défice da BTC é os EUA, o segundo é a Espanha. E Portugal está nos 10 primeiros. E o desafio é este, pois financiar este défice vai ser muito mais difícil do que foi até aqui. E pode até não ser possível.") E o negócio bancário ressente-se;
- A banca é acossada injustamente com as opiniões desfavoráveis de Mário Soares, Jorge Sampaio, Belmiro de Azevedo e Henrique Granadeiro. Apenas um banco, a CGD, já beneficiou da garantia estatal para se endividar; a ameaça governamental de suspender a garantia é despropositada. O BPP pode não ser viável;
- O aumento da exigência de capitais próprios, com a subida da Tier 1 para 8%, é mau vindo: vem complicar o exercício bancário ao exigir aumentos de capital, num momento em que é difícil de o fazer. A banca tem dificuldade em remunerar o capital e por isso é de esperar um aumento dos preços.
Duas reflexões sobre esta entrevista:
- Tivemos duas décadas de sossego nas contas externas; inicialmente fomos embalados pelo investimento externo e depois pela credibilização associada à participação na UEM. Se até 1986 tínhamos duas bombas sempre prontas a detonar (o desemprego e a ruptura nos pagamentos internacionais), agora temos uma (o desemprego) e uma espécie de bomba que é a corrosão da nossa credibilidade junto dos credores. A economia real (falta de competitividade, défice externo) volta em todo o seu esplendor. E isto num ambiente de desconfiança dos investidores internacionais. A banca navegou lindamente durante aquelas duas décadas. A margem de intermediação bancária minguou com a desinflação mas as dívidas (e portanto o negócio) dispararam. Agora tudo se complica.
- Aparentemente pela cabeça de Fernando Ulrich não passa a hipótese das dificuldades da banca serem combatidas com reestruturações, com fusões. Ulrich fala tranquilamente em aumento dos preços cobrados pelos bancos; presumivelmente spreads mais elevados e reforço dos custos de serviços bancários. Ao ler o aumento preconizado dos preços, é difícil afastar a estafada ideia da concertação dos bancos...
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Fábio
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15:57
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No princípio da semana foi conhecida a escolha do Banco da Suécia: o "Prémio de Ciências Económicas em memória de Alfred Nobel", vulgo prémio Nobel da Economia, foi atribuído a Paul Krugman "for his analysis of trade patterns and location of economic activity".
Andei vários dias a pensar nos contributos de Krugman para a compreensão do comércio internacional. As economias de escala e o gosto pela inovação ajudam a compreender o comércio internacional entre os países com uma dotação factorial semelhante. So what?
Não percebo nadinha de comércio internacional. João César das Neves na 3ª feira observava no Público que as economias de escala justificavam a existência de comércio internacional entre países semelhantes. Pensei nos automóveis de luxo produzidos em França, Itália e Alemanha e pareceu-me que o argumento é pobrezinho - o que é que as economias de escala ajudam a compreender o comércio na Zona do Euro destes carrinhos? Já o gosto pela inovação talvez possa justificar alguma coisa. Mas...
Jean Paul Fitoussi observava algures que os benefícios do comércio externo resultam de um grau óptimo de abertura ao exterior. Acho que o grau óptimo não está em nenhum dos extremos (autarcia ou liberdade total de movimentos de mercadorias). Qual é o grau óptimo?
O Público de hoje noticia o desinteresse dos herdeiros de Fernando Pessoa, relativamente à proposta do direito de preferência feita pelo Estado. O Estado reagiu classificando como interesse nacional todas as obras em mãos de privados, impedindo sua a saída do país. O jornalista Luís Miguel Queirós conclui "O que está em causa é apenas isto: o Estado, usando dos instrumentos que a lei lhe atribui, deve ou não evitar que saiam do país alguns milhares de manuscritos e dactiloscritos de um dos maiores escritores europeus do século XX? Acho que deve." Será que deve?
Robert Shiller numa entrevista a Bloomberg esta semana notava que este ano o Banco da Suécia, com a instabilidade do mercado de crédito e dos bancos, estava naturalmente inibido de atribuir o prémio na área das expectativas racionais e da eficiência de mercados...
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Fábio
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23:42
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O gráfico do endividamento das famílias ilustra um problema da banca nacional: o negócio bancário assente no endividamento das famílias e subsequente titularização e venda a bancos estrangeiros está ameaçado. Esta dificuldade assenta em dois factores. Por um lado o ambiente de desconfiança diminui a possibilidade/rendibilidade de colocação da dívida das famílias portuguesas no estrangeiro. Por outro o patamar das dívidas das famílias também significa que o endividamento não pode continuar a registar as taxas de crescimento do passado recente.
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Fábio
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12:14
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O Público traz na 1ª Página uma notícia pior do que a crise bancária americana: a Fnac suspende a partir de hoje o desconto geral de 10% nos livros, reservando-o apenas para os clientes portadores do cartão Fnac. A Fnac está a piorar.
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Fábio
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14:04
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Enganados de novo. Andámos durante anos a aturar os consultores da Merryl Linch, os gestores da Lehman Brothers, os génios financeiros da Goldman Sachs - para vermos, numa só semana, que nem da casa dele sabem cuidar.
Rui Tavares, "Gestor Pangloss", jornal Público, 22 de Setembro de 2008, p. 36.
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Fábio
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12:06
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O que significa, na prática, uma zona monetária óptima?
Suponhamos por um momento que a tragédia do "Prestige" tinha ocorrido no Algarve. O turismo para as terras algarvias teria sido reduzido para aproximadamente zero e portanto a economia regional teria sido dramaticamente atingida. Os hotéis, os apartamentos, os quartinhos, os parques de campismo, os restaurantes, os bares, as discotecas, as rent-a-car, tudo, ficaria às moscas. Como seria minimizado o impacto social desta desgraça?
Numa zona monetária óptima os algarvios zapariam para outras paragens. Deslocariam os seus apartamentos, quartos, amêijoas da Ria Formosa e figueiras para o Alentejo, para o Mindelo, para a Côte d'Azur, para Mimizan, para o Báltico, para qualquer lado da Zona Euro... Como os americanos fogem das zonas deprimidas da América e demandam a Califórnia, os algarvios instalariam-se alegremente noutras paragens.
A emigração portuguesa no Século XXI é sinónimo de optimalidade da Zona Euro. Os empregos escasseiam em Portugal e nós emigramos. Existe mobilidade do trabalho.
Mas a emigração também é um sinónimo de desertificação - parece que a pobreza alentejana se alastra pelo território nacional.
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Fábio
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00:43
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A revista Proteste da Deco na edição de Setembro traz um estudo sobre as douradas que se podem comprar em hipermercados, supermercados e peixarias. São distinguidas duas origens, a aquicultura e a captura no mar.
As douradas de captura foram preferidas pelos provadores. Na prova de degustação os provadores atribuiram 7 classificações de muito bom: 3 a peixes de captura e 4 a peixes de aquicultura, tendo sido provadas 5 amostras de captura e 27 amostras de aquicultura. O peixe proveio de 33 postos de venda, sendo que uma das amostras foi eliminada por deficiência de frescura. O peixe de aquicultura é menos rico em ácidos gordos do tipo ómega-3 que ajuda a reduzir o mau colesterol. Mas como o peixe de acquicultura é mais gordo, acaba por oferecer maior quantidade dos ácidos gordos saudáveis.
Em 6 postos de venda foram compradas douradas alegadamente de captura mas, laboratorialmente, provou-se que o peixe provinha de acquiculturas. O consumidor foi enganado!
É difícil distinguir a dourada de aquicultura da de captura, embora a dourada selvagem tenda a ser maior do que a de aquicultura. Dos 11 estabelecimentos que propunham douradas de captura, apenas 5 tinham realmente esse produto à venda.
Se a ASAE não aumentar as inspecções qual é o comportamento óptimo dos vendedores menos escrupulosos?...
Se é peninchense ou passar por Peniche aproveite as douradas da Peixaria Luísa Maria Castro Marques (Rua António Cervantes, nº9). É o estabelecimento que propõe as douradas de captura mais baratas (€13) e mereceram a classificação de muito bom dos provadores.
Autor:
Fábio
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17:23
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A correcção orçamental resistirá ao arrefecimento da economia portuguesa?
(Por memória: o Banco de Portugal baixou as previsões de crescimento para 2008, de 2,0% para 1,2% , e para 2009, de 2,3% para 1,3%.)
Autor:
Fábio
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16:45
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Acho que o Presidente da República pôs a mão na ferida da bolsa portuguesa com estas declarações. Podemos encontrar justificações técnicas para o desempenho da bolsa - saída de estrangeiros, execução de garantias em acções de investidores alavancados em dívida bancária, alteração das regras contabilísticas que transformam as menos-valias potenciais de investimentos dos bancos em prejuízos - mas a verdade é que o PSI-20 reflecte uma economia com carências na "produção de bens e serviços transaccionáveis".Não podemos baixar os braços. O importante é que todos tenhamos a consciência que Portugal não conseguirá voltar a aproximar-se do nível de desenvolvimento médio da União Europeia se não aumentar a produção de bens e serviços transaccionáveis.
Declarações de Cavaco Silva, in L.A., "Cavaco fala das obras e da situação difícil do país", Público, 5 de Julho de 2009, p.10.
Autor:
Fábio
às
19:13
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