quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cavaco Silva: Gato por lebre (II)?

Não podemos baixar os braços. O importante é que todos tenhamos a consciência que Portugal não conseguirá voltar a aproximar-se do nível de desenvolvimento médio da União Europeia se não aumentar a produção de bens e serviços transaccionáveis.
Declarações de Cavaco Silva, in L.A., "Cavaco fala das obras e da situação difícil do país", Público, 5 de Julho de 2009, p.10.

Acho que o Presidente da República pôs a mão na ferida da bolsa portuguesa com estas declarações. Podemos encontrar justificações técnicas para o desempenho da bolsa - saída de estrangeiros, execução de garantias em acções de investidores alavancados em dívida bancária, alteração das regras contabilísticas que transformam as menos-valias potenciais de investimentos dos bancos em prejuízos - mas a verdade é que o PSI-20 reflecte uma economia com carências na "produção de bens e serviços transaccionáveis".

Basicamente no PSI-20 encontramos a banca, empresas de distribuição, cimenteiras e construtoras, produção e distribuição de electricidade, exploração de auto-estradas, refinação de petróleo, papeleiras, media. Não será pouco? E sobretudo não serão sectores protegidos e pouco exportáveis?

O Presidente da República considera, no fundo, que é pouco e que não favorece o nosso desenvolvimento. O desempenho do PSI-20 não reflectirá estes estrangulamentos internos?

1 comentário:

VIVA O REI disse...

O nosso presidente está velho e desactualizado

Não chega serem bens transaccionaveis, têm de ser especificos!...não podemos produzir os mesmos bens que a Alemanha ou Espanha, já chega de rectórica!
Se houve causas da nossa incapacidade actual foi a politica económica dos governos de Cavaco Silva onde o enfoque era copiar os projectos produtivos do resto da Europa...com a destruição daquilo que eramos os únicos a produzir (a destruição do pinhal por eucalipto é um bom exemplo)
Quanto ás empresas de construção...também essas exportam e muito!...também o conhecimento é exportavel, pena que as nossas universidades ainda não tenham percebido

bem haja