Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013

Domingo, 18 de Março de 2012

Mobilidade

Anteontem acompanhei os meus alunos do 12º ano à Futurália, um certame anual de promoção das universidades, politécnicos e de outras oportunidades de ensino e carreira. Os meus alunos já lá tinham estado em 2011 e observaram que este ano havia muito menos universidades estrangeiras representadas. Estreei-me no evento Futurália e apenas encontrei um stand com a apresentação de apoios disponíveis para estudar em Inglaterra. Lembrei-me da observação dos alunos quando li ontem a crónica de Pacheco Pereira no Público, onde refere que uma das consequências do esvaziamento finaceiro da classe média é a redução da sua mobilidade social.

Sexta-feira, 9 de Março de 2012

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

I don't believe I've ever worn so much hardware in my life!

Paul Krugman esteve esta semana em Portugal e foi homenageado com o doutoramento honoris causa das três universidades públicas lisboetas. Nas suas declarações Krugman estipulou em 75% a probabilidade lusa de manter o Euro. Esta probabilidade é curiosa. A entropia seria máxima se os dois cenários (manutenção ou não manutenção) fossem equiprováveis, com 50% para cada caso; claro está a entropia desapareceria se o cenário da manutenção tivesse a probabilidade de 100%. Assim a probabilidade intermédia dos 75% corresponde vagamente à eliminação de metade da incerteza associada à nossa permanência na Zona Euro.

PS - Se medirmos a entropia pelo índice de Shannon, aquela nem diminui em 20% quando especificamos a probabilidade de 75% de manutenção na Zona Euro, face ao cenário de incerteza máxima...

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Duas questões em aberto

Dia sim dia não o governo aumenta impostos, na ânsia de fugir a um destino grego. Se acreditarmos nos argumentos keynesianos (ao menos para o curto prazo!), podemos regozijar-nos da dificuldade prática em cortar a despesa, na medida em que cortes da despesa são conjunturalmente mais contraccionistas do que os aumentos de impostos. Os "projectos estruturantes" foram arrumados na gaveta.

Há duas questões infelizmentes pendentes sobre os nossos destinos mais imediatos:
a) Será possível fugir a um default da nossa dívida soberana? O nível da dívida, as taxas de juro, a contracção da economia (ou o crescimento anémico), a competitividade da economia, permitem, ainda assim, fugir ao incumprimento e preservar o Euro? Como escrevia Luís Campos e Cunha há umas semanas no Público, sair do Euro é recuar 30 anos. Mas será que isso não está já feito e que resta inexoravelmente pagar o respectivo preço?
b) Poderemos "prescindir" de uma moeda macaca? Ou seja, será que a adopção do Euro exige-nos um período de ajustamento duradouro, tipo 1999-2015 ou 1999-2020, com um primeira fase de euforia e endividamento, seguindo-se um progressive landing construtivo, de aproximação ao virtuosismo alemão? João César Neves era citado há dias no jornal i dizendo que a UE já percebeu que tem de estar de olho na gente. Ou seja, a pressão externa já está em marcha para nos pôr duradouramente no bom caminho?

Independentemente de ser sustentável a permanência no Euro, será eficiente fazê-lo? João Ferreira do Amaral defende desde sempre que não. E no fundo acho que era preciso que nós fossemos alemães para a moeda única ser uma escolha eficiente.

Domingo, 9 de Outubro de 2011

Vermelho

Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

Domingo, 19 de Junho de 2011

Falhanço dos mercados

Os valores baixos das taxas de juro gregas - ainda há poucos meses - parece-me um argumento pouco abonatório da eficiência dos mercados financeiros.

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Era demasiado abstracto...

As intervenções do FMI em 1977 e 1983 foram necessárias para enfrentar o défice externo, com a penúria de dólares a impedir a execução de pagamentos internacionais. O défice externo deixou de ser um problema premente no pós adesão à CEE em 1986. Primeiramente o investimento externo em Portugal e os fundos de coesão colmatavam o défice das contas correntes; a partir de 1999 a adopção do Euro fez desaparecer a restrição externa, visto que o Euro é emitido pelo BCE e moeda internacional. O combate do défice externo português deixou aparentemente de ser premente - e foi substituído pela restrição das finanças públicas prevista nos critérios de convergência do tratado de Maastricht: o défice anual público não pode exceder 3% do PIB e a dívida pública não pode exceder os 60% do Produto Interno Bruto. Eram restrições demasiado abstractas! Estes limites sempre foram encarados como realidades esdrúxulas, impostas arbitrariamente por "Bruxelas". No entanto o défice anual de 3% poderia ser excessivo para estabilizar o rácio da dívida pública relativamente ao PIB.

A explosão da dívida pública dos últimos anos - estilhaçando a credibilidade do Estado português - colocou-nos novamente num terreno onde imperam as dificuldades e a ausência de liberdade de manobra, como enfrentámos antes da adesão à CEE. "Conseguimos!"

Na década 1999-2009 usámos e abusamos da credibilidade associada ao Euro; a pertença ao clube dos ricos e a promessa da tying hands do Pacto de Estabilidade e Crescimento ("O PEC foi adoptado para evitar que políticas fiscais irresponsáveis tivessem efeitos nocivos sobre o crescimento e a estabilidade macroeconómica dos países da União Europeia, em particular aqueles que adoptaram o Euro como sua moeda" in Wikipedia), foram utilizadas para nos encharcarmos de dívida pública e privada. Não admira que os "mercados" nos tenham tirado o tapete.

Está aberta a época das medidas draconianas para conter os problemas financeiros e fala-se de um governo de salvação nacional PS-PSD-PP: deve ser a solução de governo mais parecida com o salazarismo a que poderemos democraticamente aspirar.

Domingo, 27 de Março de 2011

O TGV de Sócrates

(...) Como é que podemos pagar juros a 7,5% durante um ano ou dois? Não é possível. É um compromisso para o futuro que nos desgraça completamente. Amanhã temos de pedir emprestado, não é para comer, é para pagar juros.

Jacinto Nunes, "Amanhã temos de pedir emprestado: não é para comer, é para pagar juros", entrevista a Anabela Mota Ribeiro, Jornal de Negócios, 18 de Março de 2011, p. 9.

Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

Obrigações europeias

O economista Jacques Attali defendeu anteontem num talk show da France 2 a emissão de obrigações europeias. Basicamente apresentou dois argumentos. A Zona Euro tem um endividamento conjunto nulo, ao contrário dos EUA ou do Japão, e o endividamento permitiria o financiamento do crescimento económico. Os argumentos soaram fraquinhos e esse "endividamento europeu" aguça o espectro sobre o contribuinte alemão de, no futuro, ter de enfrentar mais impostos ou uma inflação acrescida.

Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

A importância do Estado

A tolerância de ponto concedida à função pública lisboeta esvaziou a cidade. Parece domingo.

Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

Dúvida económica

Como é que o défice público na Irlanda chegou aos 32% do PIB?

Domingo, 9 de Maio de 2010

TGV Poceirão-Madrid

O Poceirão já está no mapa!

Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Não se fala de Portugal, mas...

Directeur de Bruegel, centre de recherche sur les politiques économiques en Europe, Jean Pisani-Ferry ne croit pas que la Grèce puisse éviter une cure d'austérité en sortant de la zone euro.

Une sortie de la zone euro aiderait-elle la Grèce ?
L'Irlande a abandonné la livre britannique. La République tchèque et la Slovaquie avaient une monnaie ; elles en ont deux. L'Histoire nous enseigne qu'il est possible de changer de monnaie.

Mais la Grèce a deux problèmes : un problème de finances publiques avec un déficit de 13,6 % du produit intérieur brut (PIB) et une dette de 115 % du PIB dont l'évolution est explosive, et un problème de compétitivité en raison de l'écart d'inflation accumulé depuis son entrée dans l'euro. Une sortie de l'euro répondrait au second problème en lui permettant de laisser sa nouvelle monnaie se déprécier, mais elle aggraverait considérablement le premier, et le simple fait d'en évoquer l'idée créerait séance tenante une crise financière dévastatrice.

En effet, rien n'a été prévu pour organiser une telle sortie. Volontairement d'ailleurs, car il ne s'agissait pas d'instituer un système de change fixe, mais une monnaie permanente. Un abandon de l'euro exigerait de longs mois de négociations avec l'Union européenne. Mais il ne faudrait que quelques jours aux déposants pour transférer leurs avoirs hors des banques grecques, ce qui provoquerait leur effondrement.

Les entreprises ne trouveraient aucun prêteur pour financer leurs importations, car les créanciers auraient peur d'une conversion forcée. Dans le cas contraire, elles seraient asphyxiées par des crédits irrévocablement libellés en euros, car le poids de ceux-ci s'alourdirait avec la dépréciation de la nouvelle monnaie. Même chose pour la dette publique en euros qui acculerait très vite l'Etat grec à se déclarer en défaut de paiement. Autrement dit, impossible de mener à bien en une nuit une sortie de la zone comme on le fait pour une dévaluation ordinaire. Cette solution créerait le chaos en Grèce, sans parler des répercussions sur le reste de la zone euro.

Quel est le bon scénario ?
Il n'y a pas de solution miracle. La Grèce doit baisser ses prix et ses salaires pour rétablir sa compétitivité. Il est possible de le faire rapidement dans une petite économie ouverte : l'Irlande et l'Estonie s'y emploient. C'est sensiblement plus long et pénible dans un pays plus grand et moins ouvert. La renégociation de sa dette fait partie de la panoplie et il faut que l'Europe s'y prépare afin que cela se passe le mieux possible, mais son effet est à moyen terme. Dans l'immédiat, cela ne changerait rien au fait que la Grèce doit cesser de fabriquer de la nouvelle dette au rythme de 10% à 15% par an.

Des transferts en provenance du budget européen seraient une aide. Mais la Grèce a déjà bénéficié largement des fonds structurels européens et elle en a fait mauvais usage. Personne ne voudra lui faire de cadeaux. Enfin, il faudra les prêts de l'Union européenne, mais celle-ci devra faire nettement plus et pour plus longtemps que les 30 milliards d'euros annoncés. D'autant qu'un taux d'intérêt de 5 % n'aide vraiment pas cette économie en difficulté !

Autrement dit, la solution du problème est d'abord en Grèce. Elle devra jouer de l'ensemble de ces outils, réformer son économie, sa fiscalité, sa sphère publique, faire en trois ans ce qu'elle n'a pas fait en trente. Cela va être exceptionnellement dur.

L'Espagne ne va-t-elle pas être attaquée par les marchés ?
Le problème espagnol n'est pas le même. L'Espagne était plutôt un parangon de vertu budgétaire, mais a commis l'erreur de laisser se gonfler une bulle immobilière. Ses problèmes budgétaires sont une conséquence de la crise, pas son origine. Contre la contagion, l'Europe doit tenir un discours très clair en soulignant que l'Espagne n'a rien à voir avec la Grèce.

L'Europe est-elle équipée pour ce sauvetage ?
Les Européens n'avaient aucun dispositif de gestion de crise et ont appris à jouer les pompiers en même temps que l'incendie faisait rage. Admettons que cela fasse partie du processus de construction de la zone euro. Ce qui est préoccupant, c'est qu'ils ont mis presque trois mois pour ajuster leur position et que des divergences d'interprétations subsistent. A force de tergiverser et de faire trop peu trop tard, les Européens ont perdu le leadership sur les marchés. L'annonce, toute proche, du programme grec en cours de finalisation et du plan d'aide qui l'accompagnera doit absolument être l'occasion d'enrayer la panique sur les marchés.


"Jean Pisani-Ferry : 'Une sortie de l'euro créerait le chaos en Grèce, sans parler des effets sur les autres pays'", entrevista conduzida por Alain Faujas, Le Monde, 29 de Abril de 2010.

Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Quinta-feira, 11 de Março de 2010

wishful thinking?

Há sempre a esperança de, no futuro, assistir a uma redução do peso da dívida pública...