domingo, 9 de maio de 2010

TGV Poceirão-Madrid

O Poceirão já está no mapa!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Não se fala de Portugal, mas...

Directeur de Bruegel, centre de recherche sur les politiques économiques en Europe, Jean Pisani-Ferry ne croit pas que la Grèce puisse éviter une cure d'austérité en sortant de la zone euro.

Une sortie de la zone euro aiderait-elle la Grèce ?
L'Irlande a abandonné la livre britannique. La République tchèque et la Slovaquie avaient une monnaie ; elles en ont deux. L'Histoire nous enseigne qu'il est possible de changer de monnaie.

Mais la Grèce a deux problèmes : un problème de finances publiques avec un déficit de 13,6 % du produit intérieur brut (PIB) et une dette de 115 % du PIB dont l'évolution est explosive, et un problème de compétitivité en raison de l'écart d'inflation accumulé depuis son entrée dans l'euro. Une sortie de l'euro répondrait au second problème en lui permettant de laisser sa nouvelle monnaie se déprécier, mais elle aggraverait considérablement le premier, et le simple fait d'en évoquer l'idée créerait séance tenante une crise financière dévastatrice.

En effet, rien n'a été prévu pour organiser une telle sortie. Volontairement d'ailleurs, car il ne s'agissait pas d'instituer un système de change fixe, mais une monnaie permanente. Un abandon de l'euro exigerait de longs mois de négociations avec l'Union européenne. Mais il ne faudrait que quelques jours aux déposants pour transférer leurs avoirs hors des banques grecques, ce qui provoquerait leur effondrement.

Les entreprises ne trouveraient aucun prêteur pour financer leurs importations, car les créanciers auraient peur d'une conversion forcée. Dans le cas contraire, elles seraient asphyxiées par des crédits irrévocablement libellés en euros, car le poids de ceux-ci s'alourdirait avec la dépréciation de la nouvelle monnaie. Même chose pour la dette publique en euros qui acculerait très vite l'Etat grec à se déclarer en défaut de paiement. Autrement dit, impossible de mener à bien en une nuit une sortie de la zone comme on le fait pour une dévaluation ordinaire. Cette solution créerait le chaos en Grèce, sans parler des répercussions sur le reste de la zone euro.

Quel est le bon scénario ?
Il n'y a pas de solution miracle. La Grèce doit baisser ses prix et ses salaires pour rétablir sa compétitivité. Il est possible de le faire rapidement dans une petite économie ouverte : l'Irlande et l'Estonie s'y emploient. C'est sensiblement plus long et pénible dans un pays plus grand et moins ouvert. La renégociation de sa dette fait partie de la panoplie et il faut que l'Europe s'y prépare afin que cela se passe le mieux possible, mais son effet est à moyen terme. Dans l'immédiat, cela ne changerait rien au fait que la Grèce doit cesser de fabriquer de la nouvelle dette au rythme de 10% à 15% par an.

Des transferts en provenance du budget européen seraient une aide. Mais la Grèce a déjà bénéficié largement des fonds structurels européens et elle en a fait mauvais usage. Personne ne voudra lui faire de cadeaux. Enfin, il faudra les prêts de l'Union européenne, mais celle-ci devra faire nettement plus et pour plus longtemps que les 30 milliards d'euros annoncés. D'autant qu'un taux d'intérêt de 5 % n'aide vraiment pas cette économie en difficulté !

Autrement dit, la solution du problème est d'abord en Grèce. Elle devra jouer de l'ensemble de ces outils, réformer son économie, sa fiscalité, sa sphère publique, faire en trois ans ce qu'elle n'a pas fait en trente. Cela va être exceptionnellement dur.

L'Espagne ne va-t-elle pas être attaquée par les marchés ?
Le problème espagnol n'est pas le même. L'Espagne était plutôt un parangon de vertu budgétaire, mais a commis l'erreur de laisser se gonfler une bulle immobilière. Ses problèmes budgétaires sont une conséquence de la crise, pas son origine. Contre la contagion, l'Europe doit tenir un discours très clair en soulignant que l'Espagne n'a rien à voir avec la Grèce.

L'Europe est-elle équipée pour ce sauvetage ?
Les Européens n'avaient aucun dispositif de gestion de crise et ont appris à jouer les pompiers en même temps que l'incendie faisait rage. Admettons que cela fasse partie du processus de construction de la zone euro. Ce qui est préoccupant, c'est qu'ils ont mis presque trois mois pour ajuster leur position et que des divergences d'interprétations subsistent. A force de tergiverser et de faire trop peu trop tard, les Européens ont perdu le leadership sur les marchés. L'annonce, toute proche, du programme grec en cours de finalisation et du plan d'aide qui l'accompagnera doit absolument être l'occasion d'enrayer la panique sur les marchés.


"Jean Pisani-Ferry : 'Une sortie de l'euro créerait le chaos en Grèce, sans parler des effets sur les autres pays'", entrevista conduzida por Alain Faujas, Le Monde, 29 de Abril de 2010.

terça-feira, 27 de abril de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

wishful thinking?

Há sempre a esperança de, no futuro, assistir a uma redução do peso da dívida pública...

quinta-feira, 4 de março de 2010

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O novo papão

Vi uma parte do telejornal da RTP2, em que passaram algumas declarações de Marcelo Rebelo de Sousa no comentário semanal (não tinha acabado esta intervenção do professor?!). Basicamente dizia que a instabilidade política se paga com taxas de juro mais altas. Cá está! No início dos anos 80 o papão era a ruptura de pagamentos internacionais; agora já não há problemas com os défices, não fora o preço do dinheiro...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ciao investimentos públicos?

O aumento inexorável dos impostos vai criando raízes nos jornais, por força da débacle orçamental. Ao mesmo tempo parece que o Eng. Sócrates prepara a opinião pública para um recuo nos grandes investimentos.

Em primeiro lugar a escolha de António Mendonça para a pasta das obras públicas é aparentemente esdruxúla. O Ministério das Obras Públicas tem essencialmente uma natureza política e, nestes momentos conturbados que se vivem, seria de esperar que o ministério fosse ocupado por um peso-pesado do PS. A escolha de um economista académico desvaloriza a pasta.

Com a subtileza habitual o Prós & Contras de segunda-feira ajudou a enterrar os investimentos públicos. Em estúdio estavam João Salgueiro, Augusto Mateus, João César das Neves, António Carrapatoso e Alexandre Patrício Gouveia, proponentes do Movimento dos 28, do Compromisso Portugal ou "não-alinhados", e todos argumentaram no mesmo sentido. O decano dos economistas portugueses, Jacinto Nunes, também alinhou no diapasão geral. Os economistas do Movimento dos 52 ficaram em casa a ver televisão.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Benefícios escondidos?

Ontem folheei 50 Economics Ideas: You Really Need to Know, foi tudo muito rápido e acabei até por não perceber se gostava ou não do livro, se é ou não uma espécie de "especialista instâneo" (em versão melhorada), mas a verdade é que procurei a entrada da "vantagem comparativa". Como é evidente não li o texto, tentei apenas descobrir o sentido da coisa. A entrada tem uma citação de Paul Samuelson que diz mais ou menos que a demonstração do princípio não coloca qualquer dificuldade mas que o tema é tudo menos trivial visto que tanta gente qualificada é descrente da coisa...

Há dias o zapping levou-me a um documentário que passava no ARTE sobre o TGV nos EUA. Procurava-se perceber a prática ausência do TGV na América. Um passageiro anónimo americano dizia que era uma vergonha e que se devia seguir o exemplo francês. Um especialista americano explicava a escassez de TGV na américa: o transporte aéreo é barato e prático, e por isso o TGV é um disparate que o mercado excluíu naturalmente.

Suponhamos agora que as emissões de CO2 tornam "proibitivo" o avião, poupando o TGV. Nesse caso a planificação (uma palavra tirada do baú!) francesa foi brilhante, antecipando-se à miopia do mercado.

E se existissem elementos que tornam míope o simples jogo das vantagens comparativas?!

PS Se calhar o silêncio é o melhor comentário que posso fazer por aqui...

sábado, 26 de setembro de 2009

Silva Lopes - "tens" razão!

O mercadinho hortícola e frutícola alternativo da Praça do Príncipe Real em Lisboa é uma delícia (acontece nas manhãs de sábado). Maças pequenas e riscadinhas a €2,35, que se encontram por aí a €0,40, e outras coisas no género. Numa banca lancei a confusão: "mas estas couves-flor são transgénicas!" A senhora tranquilizou toda a gente explicando que eram apenas uma variedade respeitável daquele legume. Noutra banca o aroma do manjericão impunha-se. Procurei e não o encontrei. Perguntei a um dos vendedores por onde andava o manjericão e ele apontou-me uma caixa no chão cheia de folhagem. Pus-me à conversa com ele. As folhas eram enormes, tratava-se da terceira folhagem que os "basílicos" dão, porque as flores são diligentemente podadas para impedir que as plantas fiquem a preguiçar, crescem numa estufa de plástico (o mundo não é perfeito), com a humidade controlada. O tipo é de Viseu, comprou um terreno na ilha de S. Miguel para produzir ervas aromáticas e pretende arranjar uma rede de agricultores açoreanos de bananas biológicas que ele se encarregará de escoar. Falámos nas grandes superfícies que têm maçãs da Nova-Zelândia. Ele explica que os produtores recebem subsídios para cobrar preços baixíssimos na exportação (dumping...). "Como os espanhóis que podem cobrar 5 cêntimos pela batatas porque depois recebem dinheiro do governo. Cá prefere-se subsidiar pessoas que não trabalham, em vez de apoiar os produtores". José Silva Lopes tem pedido subsídios para os exportadores... "Estou a ver que vai votar PP!" Ele retorquiu que não.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Delírio... constitucional

Se cada um dos partidos ou coligações eleitorais com acento (ou assento) parlamentar - BE, CDU, PS, PSD e CDS-PP - obtivesse 20% dos mandatos parlamentares o que é que aconteceria?!

sábado, 19 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O negócio bancário...

... ainda é pior quando os bancos inovam!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Férias!


sábado, 25 de julho de 2009

Abel Mateus: a inquietação do real

O Jornal de Negócios publicou anteontem uma extensa entrevista (5 páginas) de Abel Mateus, professor universitário (FE da UNL, University College e NYU) e ex-presidente da Autoridade da Concorrência de 2003 a 2008. A entrevista foi concedida ao director do jornal Pedro Guerreiro e à directora-adjunta Helena Garrido. Em síntese temos os seguintes aspectos mais importantes:
- O cenário macroeconómico é particularmente difícil. O PIB cai este ano 3,5% ou 4%, o desemprego roça os 10% da população activa, o défice externo está entre os 8 e os 9 por cento, o endividamento externo atinge os 110% do PIB e o défice estrutural do sector público é cerca de 5% (Abel Mateus atribui a fonte destes dados à Comissão Europeia). O economista estima que os grandes investimentos atirariam o endividamento externo para 240% em 2020. O momento actual é mais difícil que em 1974 ou em 1982. No meio das desgraças o turismo é uma benção: "(...)entre 2000 e 2007 cresceu 47% em termos reais" É preciso apostar no turismo: "Temos de investir aí, na recuperação dos centros urbanos, dos monumentos, nos serviços sociais nas regiões onde há turistas. Isso é que aumenta o PIB potencial, aí é que temos de aplicar recursos de modo eficiente: economia produtiva, empresas privadas";
- A desorçamentação esconde dificuldades. "Lembro-me de quando a Drª. Manuela Ferreira Leite foi ministra das Finanças, a certa altura estava com uma dor de cabeça que era ter 700 milhões de euros para desembolsar todos os anos com o pagamento das SCUT e o dinheiro não lhe entrava". O Governo "manteve um elevado peso do sector público, com custos acrescidos para o sector privado e desvio de fundos para o sector público";
- A conjuntura difícil pode conhecer um hard landing. O "default" do Estado ou uma "grave crise financeira do sistema bancário" podem acontecer. Não se pode descartar um cenário tipo Islândia;
- A exuberância demagógica dos governos agrava os problemas. À desorçamentação (empresas públicas na saúde e nos transportes, parcerias público-privadas, cartas de conforto(?)), soma-se a fraca rentabilidade dos investimentos (exemplo dado: SCUT). Os governos apoiaram o crescimento do sector imobiliário (que alimentou o endividamento externo); em alternativa o governo poderia ter "(...) controlado a expansão do crédito, estabelecendo, por exemplo, um limite máximo do empréstimo em percentagem do valor do imóvel. (Refira-se a propósito que o governo Durão Barroso tomou a medida cíclica de permitir o aumento do prazo dos empréstimos para compra de habitação...).;
- A reforma da justiça é a primeira prioridade. Esta reforma é a mais importante que deve ser realizada. "É preciso mudar o sistema e ainda não houve uma alteração suficiente profunda. Como por exemplo retirar todos os processos de pequenas dívidas dos tribunais. Não se pode ter milhares de processos na Relação de dívidas de telemóveis!". Grassa o ambiente de impunidade. "Um caso específico: quando estava na administração do Banco de Portugal, pertenci a um conselho que encerrou um banco, a Caixa Económica Açoreana. Os processos foram entregues ao Ministério Público e, que eu saiba, nada resultou. Apesar de haver muita evidência de ter havido desvios de fundos. Isto preocupa-me muito." Na área financeiro-monetária a moeda única exige um supervisor único: "A solução que está em cima da mesa [Relatório Larosière] não é suficiente nem eficiente para prevenir uma crise financeira".

Curiosidades e notas críticas:
- O paralelismo com a Islândia aterrou na entrevista através dos lábios dos jornalistas (pergunta: "E a longo prazo? Portugal pode ser uma Islândia?", resposta: "Em 2020, se não tivermos cuidado, pode. A Islândia tinha rácios de endividamento externo claramente inferiores aos que podem ser os nossos. (Embora a Islândia tivesse o problema dos maus investimentos dos bancos no exterior.)". Luís Campos e Cunha criticou ontem este paralelismo na crónica semanal no jornal Público, visto que a Islândia tem moeda própria e não o guarda-chuva da moeda única. Acho que a crítica de Campos e Cunha é infundada e contradiz o próprio artigo que escreveu. Com efeito, com moeda única ou sem moeda única, o aumento do endividamento externo significa que uma parte crescente da riqueza produzida em Portugal desaparece para os bolsos dos investidores estrangeiros sob a forma de juros. Ora isso gera as dificuldades que Abel Mateus ou Campos e Cunha descrevem;
- Na entrevista surge pouca reflexão sobre a Autoridade da Concorrência, embora seja natural uma atitude de reserva por parte de Abel Mateus;
- "No dia em que formos capazes de prever as bolhas, elas desaparecem." A incerteza é própria da economia e a bolsa reflete isso: as bolhas nunca desaparecerão...
- Abel Mateus "ouve muito" Krugman e admira Robert Lucas, "(...) mas não evidentemente nas teorias tradicionais das expectativas racionais e quando dizia que a autoridade monetária não devia fazer nada. É um brilhante economista, mas já passou. Há agora economistas novos muito bons." Poderia ter citado dois ou três economistas "novos muito bons"...

terça-feira, 21 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Soluções da crise financeira

Martin Wolf na sua crónica no Financial Times admira-se das crises financeiras não serem mais frequentes, ao mesmo tempo que observa que a actual crise se deverá repetir no futuro próximo... É difícil resistir ao moral hazard quando se é gestor de um banco: os proveitos potenciais de grandes riscos são imensos, ao mesmo tempo que o Estado socorre as instituições nos cenários mais desfavoráveis que possam ocorrer. No artigo Martin Wolf argumenta a favor do aumento do capital dos bancos, sobretudo dos bancos cuja dimensão possa gerar riscos sistemicos em caso de falência; é fundamental reduzir a alavancagem desses bancos.

André Orléan, num trabalho publicado pelo CEPREMAP, De l'Euphorie à la Panique: Penser la crise financière sugere outra solução: redução da interligação dos mercados de capitais pelo mundo fora, para diminuir os riscos de propagação das crises. (O link para o trabalho de Orléan foi encontrado no Blogizmo.)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Poupança ex ante ou ex post?

O suplemento de Economia do jornal El País publicou ontem um artigo do NYT de Paul Krugman, em que o economista procura as raízes mais profundas da crise financeira. Paul Krugman atribui a responsabilidade mais mediata da crise à Administração Reagan, com a liberalização financeira. A liberalização financeira diminuíu a propensão à poupança das famílias americanas, que passaram a confiar mais no endividamento para financiarem o seu consumo.

Na revista domingueira do El País o escritor Javier Marías dedica a sua crónica semanal a comentar a aflição dos compatriotas, sobreendividados, que, desempregados, têm de continuar a pagar as prestações do carro ou da casa. Os bancos poderiam fazer muita pressão para a pessoa se endividar, mas não obrigavam ninguém a fazê-lo, observa algures.

No manual de economia monetária de Bruce e Freeman Modeling monetary economies, um capítulo analisa as vantagens da economia de troca indirecta, relativamente à troca directa e mostra a vantagem da economia de troca indirecta se basear numa moeda fiduciária, em vez da moeda se basear no ouro ou na prata.

O argumento lógico a favor da moeda fiduciária é o da libertação do ouro monetário para uma utilização real (digamos assim). Verifica-se então um ganho de bem-estar. (O modelo das gerações sobrepostas, acrescido do comportamento optimizador dos agentes económicos omnipresente no Manual citado deixa pouco espaço para a política monetária ou orçamental.)

O argumento a favor da moeda fiduciária é portanto lógico, mas o que diriam dele os austríacos ou os alemães durante as hiperinflações que sofreram?!

A poupança ex post keynesiana fará todo o sentido numa economia que não é de Robinson Crusoe, mas, quando os desequilíbrios estalam, Javier Marías pode escrever uma crónica sobre as desventuras dos "enganados" pelos bancos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

As eleições estão no ar...

Em Outubro de 2008, existiam menos 51.486 funcionários que em 2005. A meta era de 75 mil.

O Estado já "não precisa de reduzir mais" o número de funcionários públicos, afirmou ontem o secretário de Estado da Administração Pública, avançando que a meta para a legislatura de diminuir em 75 mil o universo de trabalhadores decorria da situação "verificada em 2005".

"Portugal não precisa de reduzir mais funcionários públicos. Precisa é, quando quer que entrem mais funcionários públicos, dispor de mecanismos para entrar, e quando acha que não precisa, que existam mecanismos para que não entrem", afirmou o secretário de Estado durante a XI Conferência Ibero-Americana dos Ministros da Administração Pública e da Reforma do Estado, citado pela Lusa.

De acordo com os dados apresentados na conferência, em Outubro de 2008 o Estado tinha 696.394 trabalhadores, menos 51.486 do que em 2005. Um número que fica aquém dos objectivos iniciais do Governo que previa reduzir em 75 mil o número de funcionários públicos. Ainda assim, Castilho dos Santos acrescentou que o objectivo, presente no Programa do Governo, "era uma meta decorrente da situação verificada em 2005".

"Não estamos obcecados com o número de funcionários públicos", disse o governante, salientando que "o que é para manter é a política de reforma no sentido de haver instrumentos de gestão na administração pública que façam ligar as necessidades dos serviços, as necessidades do país, às disponibilidades orçamentais". Por isso, a regra de uma entrada por cada duas saídas é para manter, sublinhou.

"Temos orgulho em ter centenas de milhares de funcionários públicos, não queremos privatizar a administração", disse o governante durante a exposição.


C.O.S., "Governo dá por terminada a redução de funcionários públicos", Diário Económico, 26 de Junho de 2009, p. 56.