quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Benefícios escondidos?

Ontem folheei 50 Economics Ideas: You Really Need to Know, foi tudo muito rápido e acabei até por não perceber se gostava ou não do livro, se é ou não uma espécie de "especialista instâneo" (em versão melhorada), mas a verdade é que procurei a entrada da "vantagem comparativa". Como é evidente não li o texto, tentei apenas descobrir o sentido da coisa. A entrada tem uma citação de Paul Samuelson que diz mais ou menos que a demonstração do princípio não coloca qualquer dificuldade mas que o tema é tudo menos trivial visto que tanta gente qualificada é descrente da coisa...

Há dias o zapping levou-me a um documentário que passava no ARTE sobre o TGV nos EUA. Procurava-se perceber a prática ausência do TGV na América. Um passageiro anónimo americano dizia que era uma vergonha e que se devia seguir o exemplo francês. Um especialista americano explicava a escassez de TGV na américa: o transporte aéreo é barato e prático, e por isso o TGV é um disparate que o mercado excluíu naturalmente.

Suponhamos agora que as emissões de CO2 tornam "proibitivo" o avião, poupando o TGV. Nesse caso a planificação (uma palavra tirada do baú!) francesa foi brilhante, antecipando-se à miopia do mercado.

E se existissem elementos que tornam míope o simples jogo das vantagens comparativas?!

PS Se calhar o silêncio é o melhor comentário que posso fazer por aqui...

4 comentários:

JP Santos disse...

Sou céptico (para dizer o minimo)quanto ao projecto do TGV mas sou um adepto do transporte ferroviário. E perdoe-me não vislumbro qualquer contradição pela simples razão de que transporte ferroviário não é igual a TGV e sou não sou a favor do TGV porque não acredito que se justifique numa análise custo-beneficio.
Quanto às vantagens comparativas. Admito que no futuro as questões se possam inverter e que o TGV passe a ser vantajoso em termos comparativos face ao avião para distâncias superiores a 400-500 km. Mas então qual a pressa para arrancar já com os projectos. Mas há uma área em que o comboio tem vantagens comparativas importantes: o transporte de mercadorias onde de acordo com um estudo o peso da utilização do transporte ferroviário é muito superior ao que se passa na Europa, pois enquanto que nos EUA a quota do transporte ferroviário de mercadorias andará proxima dos 40% na Europa situar-se-á abaixo dos 10% e uma das razões apontadas reside no facto de os Estados na Europa darem prioridade ao transporte ferroviário de passageiro. Pelo que não sei se será assim tão linear decidir quem é que afinal está a ser miope.

Fábio disse...

Obrigado pelo comentário. Não tinha ideia dessa superioridade americana no transporte ferroviário de mercadorias. Nos filmes só aparecem TIR e nunca comboios. ;)

JP Santos disse...

Os dados podem ser obtidos aqui na publicação do Eurostat "Panoram of Transport" (ver pag. 57) e para ser justo indicam como seria de esperar um maior peso do transporte maritimo na Europa (37%) face aos EUA (5%) pelo que a diferença no peso do transporte rodoviário é de "apenas" 16 pontos percentuais (46% na União Europeia contra 30% nos EUA).

O Raio disse...

Sou ceptico quanto ao TGV. O TGV é o comboio do Século XX. o primeiro, o Shinkansen (新幹線) arrancou no Japão em 1964, há 45 anos!
O comboio do Século XXI é o Maglev (http://pt.wikipedia.org/wiki/Maglev).
Em vez de nos estarmos a preocupar com a linha de TGV para Madrid que será provavelmente deficitária e que terá como efeito reforçar o centralismo de Madrid, tornar Lisboa uma cidade periférica (e o Porto ultra-periférica) deviamos era construir uma linha de Maglev Lisboa-Porto.

As vantagens seriam óbvias, desiquilibraria o centralismo de Madrid com um novo centralismo atlântico, dava experiência do comboio do futuro a empresas portuguesas, etc.